Serve-se um olhar mundano e libertino. Serve-se uma arrogância sonhadora e juvenil. Serve-se uma ironia coerente e um humor valorativo. Serve-se tradição e modernidade. Serve-se na condição humana, Brinda-se com a casmurrice pessoal!

15
Fev 07

Baixou a espada empunhada e inspirou lentamente. A bainha da arma do guerreiro vibrou com o percorrer do aço da sua extensão do corpo na mesma. O sol nascia envergonhadamente vermelho bem ao longe no horizonte.

O bafo voltou dos seus pulmões como um subjugado se deita exausto no seu leito depois de árduo trabalho. Os ecos de mais uma difícil vitória não largavam os ouvidos do herói.

Levantou a parte do seu helmo bical que lhe tapava a face, e estranhando, levou de imediato a mão direita imunda de terra aos olhos, num gesto mecânico de protecção contra os primeiros raios da alvorada.

Mais uma guerra para este samurai e a sua hoste. Mais uma guerra consumada por amor.

Soluçou. As suas órbitas percorreram o infinito ao mesmo tempo que o seu coração viajou uma imensidão de léguas ao conforto facial da sua agradada. Havia sido cativo de prováveis desejos maquiavélicos desse sentimento que cada vez julgava menos compreender. Pelo menos, havia presenteado mais um “espectáculo” trivial do seu comum.

Outros delineamentos passavam-lhe pela consciência: sinais, experiências, sonhos, alienações. Todos eles coerentes na sua fonte: afecto.

Forçou as suas pernas efeminadas a dar início a uma longa caminha de regresso, na certeza que o céu maculado que o cobria muitas mais provas lhe reservava…


publicado por Casmurro às 00:27

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