Serve-se um olhar mundano e libertino. Serve-se uma arrogância sonhadora e juvenil. Serve-se uma ironia coerente e um humor valorativo. Serve-se tradição e modernidade. Serve-se na condição humana, Brinda-se com a casmurrice pessoal!

24
Dez 06
Lembrei-me de, agora que o tempo livre abunda neste corpo morto cheio de sono, consequência da própria soneira (lol), ou do Tx não comentar a minha, por enquanto, "quase aventura italiana" (=p), colocar neste espaço, que deveria ser uma pincelada de arte irregular do meu caminho de vida e de todos aqueles que fazem parte dele, (que género de arte seria?), lembrei-me de, partihar contigo, num formato de "trilogia", uma pequena história que escrevi num contexto académico, concretamente, para uma disciplina do meu 2º ano de curso.
Não é que o tempo "livre" não tenha existido propriamente nos últimos tempos, o que também é quase verdade, mas sim, e principalmente, esse tempo agora (férias d Natal), não é ocupado quase exclusivamente para descansar, recuperar forças ou mesmo para mim próprio, tempo que cada um precisa para si.
Assim, e como são 3 capítulos, vou apresentar-vos esta história em 3 posts. Uma boa forma de manter suspense e captar emoções poderão pensar, mas a verdade é que este sotão de palavras não é lido assim por tanta gente que justificasse uma estratégia dessas (lol).
Para ocupar mais espaço? Talvez. A verdade é que sendo três capítulos, pareceu-me uma boa opção, e sejamos sinceros: se entrasses neste espaço e te deparasses com um texto de...sei lá, mais de 100 linhas, o lerias?... Pois, (lol) bem me pareceu.
Aqui fica então, aquilo que apelidei no trabalho escrito de: "Um Romance de Miguel Coelho" (lolol =D), mas a palavra mais indicada será novela, ou mesmo conto. Para vocês então: "Identidade Perdida", uma Novela de Miguel Coelho =D





Capítulo I

S


eis da manhã.

Poucos minutos para o despertador da mesinha de cabeceira começar a tocar, e acordar qualquer indivíduo suficientemente demente para despertar ao som de um qualquer locutor de rádio disfarçando a sua má disposição matinal ao “atirar para o microfone” informações e curiosidades sobre o mundo e sobre o nosso querido “jet7” que não interessam a ninguém e só nos fazem voltar parar o outro lado da nossa confortável e aconchegada cama e querer continuar a dormir, e mais uma noite sem pregar um olho.
Desesperado e cansadíssimo, assim estava, numa cama toda desengonçada com os lençóis cheios de vincos e cada cobertor a descair para cada um dos lados contrários do colchão, tudo fruto de mais uma longa noite cheia de voltas e reviravoltas corporais e de intensas lutas com a almofada, assim estava este G...rato homem por mais uma noite assim.
Não era a primeira noite nestes últimos tempos sem conseguir dormir. Aliás, este G...eneroso homem já perdera a conta do número de noites idênticas a esta. Era já uma situação habitual para ele, pelo menos nestes últimos tempos, e tudo devido a uma série de acontecimentos na sua vida, que por muito que pode-se praguejar e resmungar, a verdade é que pareciam ter estado à espera, em comunhão, para no momento certo desabarem todos ao mesmo tempo na sua vida.
Primeiro fora o divórcio de seus pais. A situação lá por casa não estava de facto nada fácil de suportar, com discussões constantes, ou por outro lado, simples ignorância mútua. Mas a verdade é que ele não estava preparado para esse passo. Por muito que já fosse mais que uma mera possibilidade na sua consciência, por muito que no dia-a-dia lá de casa as discussões fossem mais constantes e mais graves, a verdade é que ele, filho único, não estava nem de longe nem de perto preparado para a separação oficial dos seus pais. Depois foi despedido. Por sorte, pouco tempo depois consegui arranjar um novo trabalho, embora ele não tivesse certeza se tal facto se ficou a dever simplesmente ao seu grande talento, ou, por influência, cunha, do seu amigo Nuno. Por fim, e o pior acontecimento de todos, presenciara a morte de Ricardo, um amigo chegado.
Acontecera tudo tão depressa, que ele próprio, na sua memória, não conseguia recriar a cem por cento a grande tragédia. Lembrava-se do fim-de-semana de diversão que ele e os seus amigos mais chegados haviam tido na própria casa de férias dos pais de Ricardo, na Beira Alta. Lembrava-se da viagem de regresso, todos “rejuvenescidos” graças a um fim-de-semana dinâmico e divertido, um balão de oxigénio na rotina habitual dos cinco amigos. Lembrava-se de que, à excepção de Ricardo, que tinha sido o “motorista” de serviço nas viagens de deslocação de ida e volta, pois era ele que tão bem conhecia os caminhos beirões, vinham todos bastante calmos e a passar pelas brasas, afinal de contas não haviam dormido muito nas três últimas noites como seria de esperar. E ficavam por aí as suas recordações. Só se lembrava depois, de acordar numa cama de hospital, rodeado de caras tão bem conhecidas, mas ao invés de alegres e bem-dispostas como seriam de esperar, faces carrancudas, desorientadas, e acima de tudo tristes e com grande sentimento de perda.
Claro que este G...rande homem, não fazia um esforço por aí além para se recordar do que realmente se passara naquele final de dia que deveria ter sido de regresso às suas casas e às suas vidas. Pelo contrário, já tinha sido tão grande o sofrimento ao ter de escutar os seus amigos contarem-lhe o que realmente acontecera naquele acidente de viação, e a partida de Ricardo, para não mais voltar fisicamente para junto deles. Já tinha sido tão intenso o sofrimento por tal notícia, e por ter regressado, ele e os seus companheiros, para uma vida que não era a dele, que não era definitivamente a vida que ele se acostumara a ter, que não fazia um mínimo de esforço para se lembrar da morte de Ricardo ou tentar recordar-se do que realmente acontecera naquela hora trágica.
Tomado um bom banho de água quente para ajudar a arregalar os olhos, e disfarçar as grandes olheiras de mais uma noite sem dormir, comeu qualquer coisa à pressa e saiu da casa que dividia com Nuno, o seu lar nestes últimos tempos complicados, para mais uma dia de aulas de Educação Musical. Para mais umas horas a ensinar os seus alunos do 5º e 6º ano, segundo ciclo do ensino, a aprenderem a tocar numa flauta clássica, o “Hino da Alegria”.




- Não desesperem! O próximo capítulo será bem maior e de tão elevado interesse! Prometo postá-lo em breve.

publicado por Casmurro às 01:35

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