Serve-se um olhar mundano e libertino. Serve-se uma arrogância sonhadora e juvenil. Serve-se uma ironia coerente e um humor valorativo. Serve-se tradição e modernidade. Serve-se na condição humana, Brinda-se com a casmurrice pessoal!

12
Jan 08

Premissa importante para vossa análise deste post, é o facto de eu, como amante de cinema, não nutrir quase nenhum apreço nem nenhum apetite voraz pelo cinema português em geral.

 

Mas sou-vos bastante directo ao dizer que, na minha opinião, o maior e grande ponto fraco deste filme (Call Girl), é, pecado capital do cinema português, a técnica e colocação da língua portuguesa no meio cinematográfico. Não gosto. Não gosto de ouvir um diálogo em português no cinema, como se acabado de sair de uma qualquer telenovela, programa televisivo, ou mesmo conversa de café! Tem de começar a haver uma maior preocupação, no meu ponto de vista claro, por este aspecto. Porque, para acompanhar boas histórias, boas imagens e boas personagens, que reconheço, existem em alguns filmes portugueses, são indispensáveis bons diálogos, que não se conseguem exclusivamente através de um bom guião, mas também através da capacidade e técnica de linguagem dos actores. É preciso treinar em Portugal uma técnica de fala especial ao cinema.

 

Posto isto, de notar que “Foda-se” é a palavra mais ouvida no filme. Nada de novo até aqui é verdade. Logo eu que, quando justifico a minha falta de gosto pelo cinema lusitano, a justifico imediatamente com o facto dos diálogos serem feitos com toneladas de asneiras como conteúdo principal. A verdade é que este filme consegue bater qualquer outro nessa quantidade. Aliás, essa própria hipérbole de asneiras é, quero acreditar, ela própria uma crítica social do filme.

 

Esse é um dos principais fundamentos deste filme, a crítica social. Notável para mim quando José Raposo diz, e com razão, que “qualquer corrupto neste país com dois dedos de testa se safa!”. Esperava também uma Soraia Chaves superficial, mas ao invés encontrei uma personagem muito bem construída e orientada pelo António Pedro Vasconcelos. De resto como todos os outros consagrados actores que participam no filme, todos eles muito bem orientados pela realização. No fundo, grandes actores muito bem orientados, personagens muito bem construídas e interpretadas (desde o Ivo Canelas, ao Nicolau Brayner, passando pela Soraia Chaves, Joaquim de Almeida, José Rapaso, etc), e uma grande atenção à crítica social transversal a todo o filme. Película esta também bem recheada de bons momentos cómicos e de bradar ao riso.


Parabéns meu caro António Pedro Vasconcelos!



publicado por Casmurro às 17:59

Não concordo caro amigo.

Partilho a ideia e sensação de estranheza pela ausência de legendas, e presença apenas do factor som para compreensão da linguagem.

Mas continuo a defender que o cinema português precisa de uma técnica própria na sua oralidade.

Vemos um programa televisivo americano, ouvimos uma conversa numa rua dos estados unidos, e depois visualisamos e escutamos um filme do país dos óscares, e notamos essa diferença, técnica, e cuidado na oralidade dos dois primeiros para este último. Por isso os grandes actores norte-americanos são aqueles que conseguem conjugar uma grande representação expressiva com a sua técnica de voz aplicada a cada momento do filme! Falo em cinema americano como em qualquer outra grande cultura cinematográfica mundial.

É esse cuidado e preocupação técnica que não existe muito em Portugal, ou que pelo menos não está muito enraizada nos nossos actores ainda.
Casmurro a 23 de Janeiro de 2008 às 01:23

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