Serve-se um olhar mundano e libertino. Serve-se uma arrogância sonhadora e juvenil. Serve-se uma ironia coerente e um humor valorativo. Serve-se tradição e modernidade. Serve-se na condição humana, Brinda-se com a casmurrice pessoal!

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Escreveu Jorge Valdano no seu artigo de opinião semanal "No princípio era a bola" do diário desportivo "A Bola" do dia 27 de Outubro de 2007:

 

"Há alguns anos, o Negro Fontanarrosa...", Roberto Fontanarrosa, escritor e humorista gráfico argentino apelidado de El Negro, "...escreveu um maravilhoso conto com o título: O que se diz de um ídolo. Fala de um grande jogador que vivia a sua profissão com a mais absoluta discrição. Um clássico homem de equipa, pouco ruidoso, pouco visível, pouco reconhecido. De repente tudo se altera: a expulsão num jogo importante, o desentendimento com um jornalista, o cometimento de uma infedilidade e o divórcio da mulher de toda a sua vida no meio de um grande escândalo mediático... A mudança de perfil e o correspondente alvoroço jornalístico provocam uma conexão passional entre o jogador e os adeptos. O estádio inteiro começa a tratá-lo como um herói, a considerá-lo uma referência, a convertê-lo no protagonista dos seus cantos. O interessante do conto é que recria duas verdades indescutíveis: a imperfeição como parte importante da identificação e a polémica como parte importante do sucesso desportivo." 

 

Que a polémica é uma componente intrínseca ao futebol todos nós temos consciência, o engraçado é verificar que não é só no nosso pequeno país que ela actua. Mais, se a polémica, como diz Valdano e como podemos na prática verificar por todos esses relvados mundo fora, é parte importante do sucesso desportivo, porque é que o futebol português não se consegue impôr e ser reconhecido internacionalmente? Porque é que estádios novos continuam vazios? A polémica não faz parte do futebol português, a polémica é também ela  futebol nacional(!), "imperfeição como parte da identificação". Assim sendo, se os clubes lusos (todos eles e não só os três grandes), não conseguem, regularmente, sucessos desportivos a nível internacional, onde está o problema? Fica a reflexão apontada à nossa organização.

 

Finalmente, e já não apenas exlusiva ao futebol, a outra "verdade" que Valdano nos partilha, consegue ser ainda mais complexa, séria, enigmática e discutível. "A imperfeição como parte importante da identificação". Quantos de nós temos consciência diária de que os nossos defeitos também nos identicam e que as nossas imperfeições, aos olhos dos outros nos tornam referências? Que a nossa paixão de viver essas imperfeições de cabeça, olhar e porte levantado, nos torna heróis, que a nossa fraqueza exposta nos faz protagonistas nos nossos "cantos"? Bela introspecção para cada indivíduo num mundo em que o stress de chegar mais e mais alto sem olhar a meios é cada vez maior.

publicado por Casmurro às 21:51

fdfsdffsd
sffsd a 12 de Novembro de 2007 às 19:25

Valdano é sensato. As frases expostas provam-no.

Se me permitem a hipérbole, a polémica está para o desporto como a reflexão está para a filosofia. Como é natural, no mundo de homens imperfeitos, a polémica funciona como alavanca de discussões, pensamentos e conteúdos, permitindo, manifestamente, transformar uma trivialidade num tema conferencial. Contudo, no nosso país, o fanatismo e a falta de qualificação imperam quando a polémica quer brotar em qualquer certame para se tornar elemento de utilidade pública para o pensamento e confronto de ideias.

A imperfeição é parte integrante do ser humano. Não há homens perfeitos. Sem dúvida que isto não se questiona, no entanto, essas imperfeições e manifestações, por vezes, julgadas como desfazadas, quando emanadas do nosso quotidiano, revelam-se encantadoras para uns e impulsionadoras para outros. É tudo uma questão de percepção. As épocas mudam mas a natureza humana permanece! E neste ponto, ainda bem que somos diferentes e conseguimos ver na imperfeição, o primeiro pigmento para a valorização. Dou exemplo extremo, das pessoas portadoras de alguma deficiência onde também podemos ver o Belo e a força e energia de viver! Disse extremo, porque somos todos imperfeitos.

No seio da nossa imperfeição, devemos adoptar uma atitude de respeito e tolerância pois como nos diz a vida terrena baseada na caminhada de Cristo "quem nunca falha que atire a primeira pedra!"

Gostei do post, concordo com Quase tudo o que disseste! Quase porquê? Percebi o que quisseste dizer com «porque é que o futebol português não se consegue impor lá fora» mas, repara, quem supera, na venda de 5 jogadores de futebol, o valor da exportação anual de cortiça (o produto paradigma nas exportações em Portugal), não tem assim um futebol tão irreconhecido internacionalmente!

Um abraço!

Carlos Magno Jr a 12 de Novembro de 2007 às 19:36

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